Baixa nas vendas faz varejo da construção adotar gestão mais eficiente para diminuir perdas

Baixa nas vendas faz varejo da construção adotar gestão mais eficiente para diminuir perdas

O setor da construção civil no Brasil foi um dos mais afetados pela crise político-econômica que castigou o país nos últimos anos. O ápice foi em 2016, que provocou um crescimento substancial das perdas entre as empresas varejistas do segmento, saindo de 1,19% em 2015 para 1,62% no ano seguinte. “A retração econômica impactou diretamente as vendas no varejo, mas por outro lado, obrigou as empresas a fazer a lição de casa, isto é, ‘olhar para dentro’ e buscar alternativas para melhorar a eficiência na execução dos processos internos”, lembra Carlos Eduardo Santos, presidente da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe).

 

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Gestão mais eficiente

A adoção de uma gestão mais eficiente foi uma das medidas adotadas pelos varejistas para minimizar os impactos da crise. Nesse cenário, a prevenção de perdas foi fundamental. “Um programa sustentável necessita ser planejado para que os resultados representem ganhos efetivos para a empresa. E foi isso que as companhias do setor da construção começaram a fazer. Elas buscaram conhecer suas perdas e seus impactos, possibilitando a tomada de decisão pautada em análises estratégicas”, diz Santos.

Assim, com uma boa gestão, as perdas foram reduzidas. Em 2017, a perda apurada foi de 1,04%, que representou, em valores, R$ 1,2 bilhão do faturamento do setor, calculado em R$ 114,5 bilhões pela Anamaco. As quebras operacionais (39%), erros de inventário (26%), furtos (18%, somados os internos e os externos) e erros administrativos (8%) dominaram o ranking.

Quebras operacionais e erros de inventários

Quebras operacionais e erros de inventários, juntos, representam 65% das perdas totais do varejo da construção. “A significativa redução do índice de 2016 para 2017 deu-se por uma melhora na gestão de estoques dos produtos em razão do aumento de maturidade dos profissionais envolvidos de forma direta e/ou indireta com a prevenção de perdas e principalmente pela adoção de boas práticas, como níveis de estoques mais equilibrados, melhor controle das movimentações, cuidados no armazenamento e transporte, melhor controle das saídas e retiradas de produtos e maior foco nos produtos de alta quebra, como pisos e telhas”, explica Santos.

Considerando os fatores causadores das quebras operacionais, o de produtos vencidos, com 21%, lidera no ranking das perdas. Na sequência estão armazenamento inadequado (17%), produto danificado pelo cliente (16%), deterioração (14%) e produto danificado por funcionário (11%). Embalagens violadas (7%) e exposição inadequada de produtos (5%) também aparecem na lista. “Controlar todas essas perdas é importante para a empresa reverter o prejuízo em lucro. Mas é preciso sempre lembrar de que não adianta a organização ter processos bem definidos, se as pessoas não entenderem o sentido das coisas e estiverem envolvidas com o objetivo maior da empresa, sabendo que o resultado obtido será compartilhado com todos”, diz Santos.