Case DPSP e estoques fiscais

Case DPSP e estoques fiscais

As reuniões mensais do Conselho Executivo têm se transformado em um grande fórum de debates e troca de conhecimentos entre profissionais de prevenção de perdas e áreas próximas de redes varejistas brasileiras, de todos os tamanhos e localização geográfica.

Na mais recente, realizada no dia 16 de maio, na sede do Grupo DPSP, os destaques foram a apresentação do case das Drogarias São Paulo e Pacheco e a palestra sobre gerenciamento de estoques fiscais, sped fiscal e bloco k. Porém, o que mais chamou a atenção foi a grande quantidade de participantes, dos mais diversos segmentos varejistas e distantes localizações. Participaram quase 50 profissionais de empresas dos segmentos supermercadista – o sócio dos Supermercados Monte Serrat, Edevaldo Retondo, rede com três unidades no município de Itupeva, no interior do Estado de São Paulo, era um deles –, atacadista, moda, farma, construção, perfumaria, livros, logística e móveis e decoração. Alguns vieram de muito longe, como os profissionais das Drogarias Globo, do Piauí, e rede farmácias Panvel, do Rio Grande do Sul, e outros enfrentaram apenas algumas horas de voo, como a gerente de Prevenção de Perdas da Drogaria Araujo, de Minas Gerais, exclusivamente para participar da reunião.

O case da DPSP, apresentado pelo gerente Corporativo de Prevenção de Perdas e Segurança, Carlos Alberto Pinheiro, trouxe os resultados do amplo projeto denominado Redução de Perdas – Planos e Desafios, iniciado em 2017, tendo como líder do projeto a Diretoria de Logística. Na fase de diagnósticos, foram identificadas 112 causas diferentes de origens. Na sequência, foram listadas 192 ações, com o envolvimento das áreas de Operações, TI, Logistica, Comercial e Prevenção de Perdas com foco nas frentes de  Segurança, Equipamentos e Manutenção, Fraudes no PDV, Produtos de Alto Risco, Inventário Rotativo, 5 Ss e Treinamentos, com um potencial de economia estimado entre R$ 7,4 milhões e R$ 18,7 milhões. “O principal desafio foi garantir o engajamento e o andamento dos planos de ação”, afirma Pinheiro.

Para o piloto, foram escolhidas 62 lojas de ambas as bandeiras, todas elas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, onde são registrados os maiores índices de furtos, assaltos etc. Os resultados ficaram acima do esperado: 70% de queda nos índices de assalto, redução dos níveis dos serviços (SLA) de manutenção de meses para dias, diminuição de 17,97% dos índices de perdas em toda a rede – nas lojas-piloto, eles foram ainda mais significativos, 48,11% de redução, o que equivale a aproximadamente R$ 5 milhões a menos de perdas. “No terceiro mês, os custos de investimento em Segurança do projeto estavam pagos com esses ganhos”, diz o gerente Corporativo de Prevenção de Perdas e Segurança do Grupo DPSP. “Nossa meta para 2019 é bastante ousada, fechar o ano com um índice geral de perdas em 0,37% do faturamento, e aumentar a abrangência do projeto com a inclusão de novas lojas, ressalta o gerente do Grupo DPSP.

A palestra sobre gerenciamento de estoques fiscais, sped fiscal e bloco k foi ministrada por Marcos Neto, sócio do Neto Cavalcante Sociedade de Advogados (NCSA), escritório especializado em varejo e responsável pelos assuntos jurídicos da Abrappe. O palestrante é conselheiro fiscal da associação e sua sócia, Renata Cavalcante, diretora jurídica.

O advogado alertou para o fato de que a penalidade por equívocos nos lançamentos do bloco k pode chegar a até 1% do valor  total do estoque da companhia, por isso, recomenda que a gestão do estoque seja realizada de maneira centralizada, exclusivamente nos CDs e não nos pontos de venda. Chamou atenção ainda para o cruzamento das informações contidas no bloco K do sped fiscal, para registro e controle do processo produtivo e estoque, com as informações contidas no bloco H. “As perdas ocorrem em elevados volumes no departamento fiscal. As multas aplicadas em decorrência de erros de lançamento no sped fiscal podem ser muitas vezes maiores com as perdas atualmente apuradas na operação do varejo. Os fiscais recebem metas de autuação. Trata-se de um grande negócio”, ressalta Neto. “O departamento de prevenção de perdas deve ter a mesma autonomia que os de auditoria ou jurídico, para se relacionarem entre si, evitando as perdas decorrentes de processos mal executados. A auditoria apura as perdas financeiras; o jurídico, as responsabilidades; mas as perdas no conceito ampliado, decorrentes dos erros de execução dos processos internos, devem ser da área de prevenção de perdas”, aconselha.

Perguntado sobre como lançar as sobras, o advogado esclareceu que elas não existem, em termos de legislação. Sobra é resultado de erro de processo ou inventário mal-feito. Quanto ao registro das perdas, quebras ou sinistros, esclareceu que estes sempre devem ter um registro da ocorrência, as perdas devem ser retratadas em documento fiscal e as quebras, gerenciadas na medida do possível. Recomendou que o estoque gerencial seja sempre bem aproximado ao estoque fiscal. “Apurar estoque rotativo atualmente é a melhor forma de gestão”, conclui o advogado Marcos Neto.

Numa enquete rápida realizada com os participantes da reunião do conselho, levantou-se que as principais causas dos problemas fiscais com estoque são a inversão de lançamento do código do SKU no sistema; entrega de produtos diferentes dos solicitados (itens com cores trocadas, no caso do varejo de moda, por exemplo) e compra por voltagem elétrica incorreta (220V em vez de 127V).

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