Gestão de estoque é fundamental para varejo farma reduzir perdas com produtos vencidos

Gestão de estoque é fundamental para varejo farma reduzir perdas com produtos vencidos

Um dos setores menos afetados pela crise econômica no Brasil foi o varejo farmacêutico. Aliás, há mais de dez anos o segmento apresenta crescimento. Só em 2017, segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), o faturamento do setor foi da ordem de R$ 106 bilhões. Esse cenário fortemente positivo também gera um risco, o das perdas, impulsionado, principalmente, pelo aumento da maturidade na gestão da área, que resulta no conhecimento de números mais confiáveis, e o aumento da atratividade dos produtos na loja, gerado pelos investimentos em expansão das unidades e novos conceitos de layout, e pelo maior mix de produtos, que transformaram o modelo de farmácia tradicional em uma drugstore.

O índice de perda total no varejo farmacêutico em 2017, de acordo com a pesquisa da Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe), foi de 1,13% contra 0,97% de 2016 e 0,62% de 2015. Considerando o faturamento anunciado pela Abrafarma, a perda total em 2017 foi de R$ 1,2 bilhão distribuídas entre quebras operacionais (53%), furtos interno e externo (29%), erros de inventário, erros administrativos (6%) e fraudes (5%), entre outros.

Vencimento de produtos, o grande vilão – O grande desafio do setor atualmente é manter os níveis baixos de perdas desconhecidas (furtos) e atuar nos processos internos para identificação das causas-raiz, que segundo o estudo da Abrappe, estão divididas em vencimento de produtos (70%), produtos danificados por clientes e funcionários (10%), deterioração (4%) e refrigeração (2%) dos mesmos, entre outros.

Embora farmácias e drogarias tenham um modelo interessante de gestão de estoques, por se tratar do setor que melhor utiliza o gerenciamento através do FIFO (sistema de armazenagem), o volume de descarte de produtos é significativo. “As grandes redes possuem força de negociação para introduzir a logística reversa com os laboratórios para os produtos sem condições de venda por vencimento, além de transferências para lojas com melhor performance de venda, porém, as redes menores ou lojas individuais não dispõe dessa possibilidade”, diz Carlos Eduardo Santos, presidente da Abrappe. Trocando em miúdos, se o produto não for vendido, ele vence, ocasionando a quebra.

Independente do motivo, como aponta Santos, algumas ações podem e devem ser tomadas para prevenir essas perdas e reduzir o prejuízo. Geralmente, reforço na segurança é a primeira medida adotada. “Mas para ser mais efetiva, a segurança física deve estar aliada ao monitoramento tecnológico, com câmeras de segurança, pontos eletrônicos, etiquetas antifurto, etc.”, afirma. O custo para o aprimoramento da segurança e a melhora na prevenção de perdas, de acordo com o executivo da Abrappe, não chega a ser algo fora da realidade de pequenos varejistas, já que muitos equipamentos podem ser alugados e a mão-de-obra, terceirizada.

 

Gestão integrada é fundamental para controle – No caso de vencimento, é fundamental, segundo Santos, adotar sistemas de gestão integrada que cruzam dados de diferentes áreas, como compras, caixa e estoque, garante eficiência na programação de pedidos, armazenagem e logística. “Existem também, softwares que avisam automaticamente quando o prazo de validade dos produtos está se esgotando. Para os pequenos varejistas, calcular o volume de compras de acordo com o giro dos produtos também ajuda a combater o problema”, argumenta.

Outra dica dada por Santos é que o varejista, ao realizar promoções de um item, acompanhe o impacto da ação nas vendas de outros produtos da categoria. “Porque a oferta de um determinado SKU reduz a venda dos demais, fazendo com que sobre e aumente o risco de vencimento, além das ofertas no caso dos produtos que estão perto da data de validade”, revela.

Como costuma propagar o presidente da Abrappe, “prevenir perdas é investimento e não custo, não importa o segmento ou o porte do negócio”. “Se o lucro, de alguma maneira, está sendo impactado por algum tipo de perda, evitá-la torna-se prioridade e ter estratégia e os recursos certos para isso é questão fundamental. E, pode-se dizer com segurança: o planejamento é o melhor alicerce para consolidação de um método eficiente de prevenção de perdas”, comenta Santos.