Talk show com líderes do varejo

Talk show com líderes do varejo

A situação político-econômica e o impacto no varejo foi um dos principais temas do talk show conduzido pelo diretor Financeiro da Abrappe, Lenivaldo Barros, com  líderes de importantes companhias varejistas de diferentes segmentos: Alberto Oyama (L´Occitane), Edevaldo Retondo (Supermercados Monteserrat), Ricardo Adachi (Conibase) e Rodrigo Fernandes Cruz (Petz).

O bate-papo durou cerca de 45 minutos e começou com comentários sobre as expectativas em relação à aprovação da reforma da Previdência Social e se ela poderia desencadear uma substancial melhora no cenário econômico e no ânimo dos empresários brasileiros. Para Alberto Oyama, as empresas aguardam a aprovação dessa pauta para voltar a investir. “Acredito que exista orçamento reservado, esperando apenas pela hora certa para ser liberado para investimento. As empresas que têm planos de médio e longo prazos encontram-se nessa situação. O momento é de confiança, mas com cautela”, explica o diretor Comercial da varejista de cosméticos.

Rodrigo Fernandes Cruz abordou as consequências da reforma trabalhista aprovada no fim do governo Temer, a qual segundo ele ainda traz bastante insegurança jurídica. “É necessário tempo para conhecermos os benefícios que trará, uma vez que precisamos de prazo para nos adaptarmos às novas regras. Um exemplo disso é a jornada intermitente, que poderia ser utilizada para contratar pessoas para trabalhar em períodos de pico nas lojas, como nos fins de semana. Ainda falta, porém, a cultura desse tipo de oportunidade. As pessoas não sabem que as empresas precisam e os varejistas, por sua vez, não têm ideia de onde encontrar profissionais dispostos a prestar serviço nessas condições”, comenta o diretor Operacional da rede de lojas Petz.

 PP no bate-papo – Quando a prevenção de perdas (PP) entrou na pauta do bate-papo, a questão da cultura de PP dentro das companhias foi bastante comentada pelos participantes. De acordo com Edevaldo Retondo, estamos em um período de franca evolução da área. “Antigamente, não haviam cursos disponíveis. Nem mesmo estudos sobre esse tema. Hoje, estamos aos poucos introduzindo a cultura internamente. A área recebe atenção da alta diretoria e tem o seu interesse”, afirma o executivo da rede supermercadista Monteserrat. O executivo da Petz completou a linha de pensamento de Retondo, chamando a atenção para a sua própria experiência profissional. “Há quatro anos, o índice de perdas na rede era apenas um número na planilha. Todo mundo olhava, dizia que tinha de abaixar e acabava por aí. Então, fizemos um esforço de criar um plano de ação e o colocamos em prática. Aprendemos muito. O índice de perda caiu 38%, em 2018, e a nossa meta para 2019 é fechar com queda de 10% em relação ao ano passado.”

Alberto Oyama disse acreditar fortemente que a Prevenção de Perdas é a área onde estão as maiores oportunidades para aumentar os ganhos, uma vez que, com margens de lucro cada vez menores, não há espaço para se perder produtos e, por consequência, dinheiro.

Sobre a sua experiência no varejo de construção, Ricardo Adachi lamentou que o segmento ainda não dê a devida atenção para a Prevenção de Perdas e afirmou que há muito o que evoluir, considerando-se, inclusive, os impactos ambientais e desperdícios. No caso dos itens vencidos ou avariados, ele diz que a Conibase os doa para instituições sem fins lucrativos. “Temos o cuidado de aproveitar o máximo possível materiais sem condições de vendas, além de torná-los úteis. Muitos itens que não temos mais permissão de comercializar podem ser reaproveitados na sociedade. As lajotas quebradas vão para ONGs que cuidam de animais de rua, para a construção de canis. Tintas vencidas renovam paredes de asilos. Consideramos esta também uma forma de prevenção.”