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Black Friday: planejamento e prevenção são decisivos para a rentabilidade

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A Black Friday é uma das datas mais importantes do calendário do varejo e, a cada ano, amplia sua relevância para lojas físicas, e-commerce e operações omnichannel. Para o consumidor, é sinônimo de oportunidade para encontrar preços mais competitivos. Para o varejista, representa a possibilidade de aumentar o volume de vendas, conquistar novos clientes e encerrar o ano com resultados mais expressivos.

A preparação para a Black Friday precisa ir muito além da definição de descontos, campanhas de marketing e negociação com fornecedores. O período representa um verdadeiro teste para toda a operação. O aumento do fluxo de consumidores, da movimentação de mercadorias e do número de transações financeiras amplia também os riscos relacionados a furtos, fraudes, erros operacionais, rupturas e problemas de estoque. Por isso, a prevenção de perdas deve participar do planejamento da Black Friday desde agora.

Black Friday e prevenção de perdas: uma relação estratégica

Em períodos de alta demanda, a operação do varejo é pressionada em praticamente todas as áreas. O estoque gira mais rapidamente, as equipes trabalham sob maior pressão, os processos de recebimento e abastecimento ganham velocidade e o número de transações financeiras cresce de forma significativa. Nesse cenário, qualquer fragilidade pode gerar impacto direto nos resultados.

A prevenção de perdas tem um papel estratégico justamente por ajudar o varejista a identificar riscos antes que eles se transformem em prejuízos. Não se trata apenas de reagir a um problema que já aconteceu, mas de desenvolver processos capazes de antecipar situações críticas.

A Black Friday, portanto, precisa ser vista como um projeto integrado. Prevenção de perdas, operações, comercial, logística, tecnologia, financeiro e recursos humanos devem trabalhar de forma coordenada.

A pergunta não deve ser apenas: quanto pretendemos vender? Também é necessário perguntar: nossa operação está preparada para sustentar esse volume de vendas com segurança e eficiência?

Ruptura: oportunidade pode ser venda perdida

Um dos principais pontos de atenção para o varejo durante a Black Friday é a ruptura. Investir em uma grande campanha de comunicação para atrair o consumidor e não conseguir entregar o produto anunciado pode comprometer não apenas uma venda, mas também a experiência e a confiança do cliente.

Dados apresentados pela Abrappe em parceria com a Protiviti mostram índices importantes de ruptura em diferentes formatos do varejo. Os mercados de vizinhança, por exemplo, aparecem com 17,62% de ruptura total, enquanto os supermercados convencionais registram 15,33%. Os hipermercados aparecem com 12,60%.

Os números reforçam que a gestão de estoque é uma das prioridades para a preparação da Black Friday. O varejista precisa avaliar o histórico de vendas, identificar os produtos de maior giro, alinhar expectativas com fornecedores e acompanhar a disponibilidade dos itens em tempo real. Também é fundamental garantir que as informações disponíveis nos sistemas estejam alinhadas com a realidade física da operação.

A falta de um produto durante a Black Friday pode fazer com que o consumidor escolha um concorrente. Em um ambiente de promoções e grande concorrência, recuperar essa oportunidade nem sempre é simples.

Mais transações exigem atenção às perdas financeiras

Outro ponto fundamental na preparação para a Black Friday é o monitoramento dos meios de pagamento. Os dados apresentados pela Abrappe mostram que o cartão de crédito possui a maior participação nas perdas financeiras analisadas, com 28,79%. Em seguida aparecem o cartão de débito, com 18,24%, e o numerário, com 15,59%. O Pix também representa uma parcela relevante, com 11,77%.

Durante a Black Friday, o crescimento das vendas significa, naturalmente, um aumento do número de transações. Isso exige controles mais eficientes e atenção redobrada a possíveis fraudes, inconsistências e comportamentos fora do padrão.

O uso de tecnologia e análise de dados pode contribuir para identificar movimentações suspeitas com maior rapidez. Mas a tecnologia, por si só, não resolve todos os desafios. É necessário contar com processos bem definidos e equipes preparadas para agir.

Equipes preparadas fazem diferença

A Black Friday costuma exigir reforço nas operações. Muitas empresas contratam profissionais temporários ou deslocam colaboradores para áreas com maior demanda.

Esse movimento precisa ser acompanhado de treinamento. Em momentos de alta pressão, procedimentos podem ser ignorados ou executados incorretamente. Uma falha aparentemente simples no recebimento de mercadorias, no abastecimento, no checkout ou no processo de devolução pode gerar perdas importantes.

Por isso, os treinamentos devem ser objetivos e práticos, reforçando especialmente procedimentos de recebimento; controle de estoque; prevenção de furtos; conferência de mercadorias; regras para devoluções e trocas; identificação de situações suspeitas; cuidados com meios de pagamento e comunicação rápida entre as equipes.

A cultura de prevenção precisa estar presente em toda a operação.

O planejamento começa antes de novembro

Esperar a chegada da Black Friday para começar a identificar vulnerabilidades pode ser um erro. O momento de preparação é agora.

O primeiro passo é olhar para as edições anteriores. Onde ocorreram as principais perdas? Quais produtos tiveram maior ruptura? Houve divergências entre estoque físico e sistema? Quais foram os principais problemas financeiros? Em quais horários ou operações os riscos foram maiores?

Essas respostas ajudam a construir um planejamento mais inteligente. Também é importante definir indicadores que possam ser acompanhados durante o período. A Black Friday exige agilidade. Identificar um problema apenas após o encerramento da campanha pode significar que já é tarde para evitar o prejuízo.

A prevenção de perdas deve estar presente desde as primeiras discussões sobre a Black Friday. Afinal, quanto maior o movimento, maior a necessidade de controle.

Em novembro, cada venda será importante. Mas garantir que essa venda se transforme efetivamente em resultado é o que fará a diferença.

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